Manejo correto na estação de nascimento reflete no comportamento e no ganho de peso dos animais ao longo da vida

Especialista da Connan dá dicas de como minimizar o estresse da vaca e do bezerro e garantir bom desenvolvimento neste período crítico

Assegurar que o bezerro mamou o colostro é de extrema importância, pois é esse o primeiro alimento da cria e que vai oferecer imunidade a ele. Divulgação

O Brasil é um dos países com maior destaque no cenário mundial, quando falamos de pecuária. De acordo a Pesquisa Pecuária Municipal (PPM), conduzida pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2019, o país possuía um rebanho de cerca de 214,7 milhões de cabeças, cenário que o coloca como um dos maiores exportadores de carne do mundo.

Frente a esses números, pode-se dizer que o pecuarista tem uma boa oportunidade nas mãos, mas que exige uma atenção maior, para garantir os bons resultados e eficiência produtiva. Para isso, é necessário olhar para a nutrição do rebanho, não só dos animais em fase de crescimento e terminação, mas também das matrizes que, se estiverem em boas condições corporais, irão parir bezerros mais saudáveis e fortes.

“Um dos fatores que medem o sucesso de uma fazenda é o número de bezerros que ela consegue produzir e como eles se desenvolvem após o parto. Nesse sentido, vale ressaltar que a atenção deve estar não somente na fase de monta, quando a vaca emprenha, mas também na sua nutrição antes e depois dessa fase, bem como o manejo desse animal no pré e pós-parto”, destaca o zootecnista e supervisor Técnico da Connan, Bruno Marson.

Estudos mostram que o tempo que o bezerro leva para se levantar para a primeira mamada, após o nascimento, está diretamente ligado ao escore corporal da mãe no momento do parto. Crias de matrizes que apresentam score corporal baixo, entre 2 e 2,5, tendem a demorar cerca de 60 a 65 minutos para se levantar, enquanto bezerros de vacas com escore entre 3 e 3,5 reduzem esse tempo para 45 e 30 minutos.

Respeito na estação de nascimento

Os cuidados com o bezerro também devem ser um ponto de atenção dos pecuaristas. Marson ressalta que o manejo deve ser pensado e desenvolvido a fim de oferecer o menor potencial de estresse, tanto para a mãe quanto para o filhote.

“Esse manejo deve ser feito antes mesmo do parto, levando a vaca para um espaço separado, um piquete maternidade, por exemplo, cerca de 30 dias antes de parir, para que possa conhecer e se habituar ao espaço. Esse local deve estar higienizado, com alimento e água de qualidade”, explica Marson.

Para o zootecnista, um dos pontos de maior importância no processo de nascimento dos bezerros é oferecer espaço para que mãe e filhote possam se reconhecer e criar vínculo. “Essas primeiras horas de vida são muito importantes e refletirão em toda a vida do animal. Se esse momento for de tensão, vaca e bezerro carregarão traumas. O bezerro pode ser prejudicado nutricionalmente, pela falta do leite da mãe, por exemplo, que implicará em um baixo ganho de peso ao longo da vida”, conta ele.

Neste sentido, ele destaca quatro pontos principais para o manejo dos bezerros, até o desmame:

  • Respeite o “imprinting

Logo após o nascimento mãe e filhote passam por uma hora crítica de reconhecimento, que se conclui com a primeira mamada. Nas primeiras três ou quatro horas de vida do filhote deve-se respeitar esse momento, evitando mexer nos animais ou fazer qualquer tipo de intervenção, que não seja realmente necessária.

“Esse é um momento chave para o desenvolvimento da cria, pois se a mãe rejeitar o bezerro ele pode acabar morrendo ou apresentando sequelas, no ganho de peso, durante toda a vida”, reforça Bruno.

  • Certifique-se da mamada

Assegurar que o bezerro mamou o colostro é de extrema importância, pois é esse o primeiro alimento da cria e que vai oferecer imunidade a ele. “O vaqueiro precisa estar atento aos sinais para ter certeza da mamada, como o úbere vazio, que significa que o animal mamou ou se o bezerro ainda está magro, informando que ela ainda não aconteceu. Nesses casos é importante que seja feito o manejo para garantir a alimentação do animal”, complementa Marson.

  • Cura do umbigo

“Nesta fase a ida da vaca para o espaço onde ficará com a cria após o nascimento é ainda mais importante, pois em alguns casos o bezerro precisa ser apartado da mãe e transferido para uma área próxima. Conhecendo o local ela se sentira mais segura com o manejo”, adverte Bruno.

Após separar o filhote da mãe, deve ser feita a cura do umbigo, com a higienização com iodo, para que seque e diminua a possibilidade de contaminação por bactérias ou a presença de larvas de moscas no local.

  • Identificação para registro

Com os processos acima efetuados, recomenda-se pesar e identificar os bezerros, para garantir o bom acompanhamento do animal ao longo dos próximos meses, até a desmama, quando iniciará a ingestão de outras fontes de alimentos.

“Ainda existe um certo desconhecimento da importância da pesagem dos bezerros recém-nascidos. Esse registro é importante, pois o peso ao nascer pode dar um indicativo do desempenho futuro do animal, já que existe uma correlação positiva entre ele e os outros pesos”, esclarece Marson.

“Devemos nos atentar que esse será o primeiro contato dos bezerros com o ser humano e, se mal manejado, esse momento pode impactar o resto da vida do animal. O bezerro é uma importante fonte de renda da fazenda, por isso é importante ter cuidado e atenção no manejo desses animais”, finaliza o zootecnista.

Sobre a Connan

Com sede em Boituva (SP) e filiais em Campo Verde (MT), São Gabriel D’Oeste (MS) e, a partir de setembro de 2020, em Araguari (MG), a Connan – Geração de Resultados iniciou suas atividades em 2004 e tem como principais acionistas os engenheiros agrônomos Fernando Penteado Cardoso Filho e Eduardo Penteado Cardoso, membros da família fundadora da empresa MANAH, do famoso slogan “Com MANAH adubando dá”, criado pelo patriarca Dr. Fernando Penteado Cardoso. Os dois irmãos, e sócios, também são detentores da patente Nelore Lemgruber, desenvolvendo e expandindo a genética na Fazenda Mundo Novo, localizada em Uberaba (MG).

Com mais de 150 representantes comerciais, a Connan é a única empresa nacional a produzir o próprio fosfato bicálcico – Aglomerax, o que lhe confere grande diferencial competitivo e garantia de qualidade dos produtos.

Mais informações: http://www.connan.com.br.       Por

Redação: Leanderson Amorim – NordestinosPaulistanos 

Por Ana Flávia Gimenes – Attuale Comunicação